miércoles, 11 de julio de 2012



Pedras



Ando com pensamentos
de chuva,
Acordo e lembro
meu padecer.


Em cada pedra
do caminho, deixo 
meu tropeço.


Ando com pensamentos
de chuva,
quero dormir
e esquecer.





Ronne Grey

miércoles, 6 de junio de 2012



Resíduo



(...) Pois de tudo fica um pouco.
Fica um pouco de teu queixo
no queixo de tua filha.
De teu áspero silêncio
um pouco ficou, um pouco
nos muros zangados,
nas folhas, mudas, que sobem.
Ficou um pouco de tudo
no pires de porcelana,
dragão partido, flor branca,
ficou um pouco
de ruga na vossa testa,
retrato.
(...) E de tudo fica um pouco.
Oh abre os vidros de loção
e abafa
o insuportável mau cheiro da memória.




Carlos Drummond de Andrade

miércoles, 8 de febrero de 2012

Poema XV

Me gustas cuando callas porque estás como ausente,
y me oyes desde lejos, y mi voz no te toca.
Parece que los ojos se te hubieran volado
y parece que un beso te cerrara la boca.

Como todas las cosas están llenas de mi alma
emerges de las cosas, llena del alma mía.
Mariposa de sueño, te pareces a mi alma,
y te pareces a la palabra melancolía.

Me gustas cuando callas y estás como distante.
Y estás como quejándote, mariposa en arrullo.
Y me oyes desde lejos, y mi voz no te alcanza:
déjame que me calle con el silencio tuyo.

Déjame que te hable también con tu silencio
claro como una lámpara, simple como un anillo.
Eres como la noche, callada y constelada.
Tu silencio es de estrella, tan lejano y sencillo.

Me gustas cuando callas porque estás como ausente.
Distante y dolorosa como si hubieras muerto.
Una palabra entonces, una sonrisa bastan.
Y estoy alegre, alegre de que no sea cierto.


Pablo Neruda
Retrato


Eu não tinha este rosto de hoje,
assim calmo, assim triste, assim magro,
nem estes olhos tão vazios,
nem o lábio amargo.


Eu não tinha estas mãos sem força,
tão paradas e frias e mortas;
eu não tinha este coração
que nem se mostra.


Eu não dei por esta mudança,
tão simples, tão certa, tão fácil:
Em que espelho ficou perdida a minha face?


Cecília Meireles

jueves, 19 de enero de 2012

Que Loucura


Fui internado ontem
Na cabine cento e três
Do hospício do Engenho de Dentro
Só comigo tinham dez

Estou doente do peito
Eu tô doente do coração
A minha cama já virou leito
Disseram que eu perdi a razão

Tô maluco da idéia
Guiando carro na contramão
Saí do palco e fui pra platéia
Saí da sala e fui pro porão


Sérgio Sampaio

miércoles, 11 de enero de 2012

Escuro da Loucura



Hoje não há versos
Na minha insônia,
Escrevo no escuro,
Escuro da loucura.


Não vejo tinta
Em minha pena,
Uma péssima idéia,
Escrever tolices.


Sentimento embaraçado
Nunca será arte,
Para os sensatos.




Ronne Grey

martes, 10 de enero de 2012

Ida


Ando descalça e com passagem só de ida.
Ontem era um caminho,
e o rio quase dialoga
de tanta
 vida.

Minha calça só de ida,
hoje bermuda, e sem
cansaço segue
nessa
viagem.


A volta não existe,
é sempre ida até na volta,
e descalça sinto intensamente
o mundo
e a
vida.


Ronne Grey

martes, 3 de enero de 2012

Poema em Linha Reta



Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.


E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo,
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.

Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida...

Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó príncipes, meus irmãos,

Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?

Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?



Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.




Álvaro de Campos



sábado, 31 de diciembre de 2011

Las Palabras


No me gaste las palabras
no cambie el significado
mire que lo que yo quiero
lo tengo bastante claro

si usted habla de progreso
nada más que por hablar
mire que todos sabemos
que adelante no es atrás

si está contra la violencia
pero nos apunta bien
si la violencia va y vuelve
no se me queje después

si usted pide garantías
sólo para su corral
mire que el pueblo conoce
lo que hay que garantizar

no me gaste las palabras
no cambie el significado
mire que lo que yo quiero
lo tengo bastante claro

si habla de paz pero tiene
costumbre de torturar
mire que hay para ese vicio
una cura radical

si escribe reforma agraria
pero sólo en el papel
mire que si el pueblo avanza
la tierra viene con él

si está entregando el país
y habla de soberanía
quién va a dudar que usted es
soberana porquería

no me gaste las palabras
no cambie el significado
mire que lo que yo quiero
lo tengo bastante claro

no me ensucie las palabras
no les quite su sabor
y límpiese bien la boca
si dice revolución.



Mario Benedetti
Miopía


No ve
lo pequeñas que son las cosas.
Delirio de grandeza
en la mirada.


Irene Gruss

viernes, 30 de diciembre de 2011


Crítica

Cuando no se ama
la poesía
ningún sentido tiene
desnudar un poema.





Juan Risueño
Quem construiu Tebas, a das sete portas? 
Nos livros vem o nome dos reis, 
Mas foram os reis que transportaram as pedras? 
Babilônia, tantas vezes destruída, 
Quem outras tantas a reconstruiu? Em que casas 
Da Lima Dourada moravam seus obreiros? 
No dia em que ficou pronta a Muralha da China para onde 
Foram os seus pedreiros? A grande Roma 
Está cheia de arcos de triunfo. Quem os ergueu? Sobre quem 
Triunfaram os Césares? A tão cantada Bizâncio 
Só tinha palácios 
Para os seus habitantes? Até a legendária Atlântida 
Na noite em que o mar a engoliu 
Viu afogados gritar por seus escravos. 

O jovem Alexandre conquistou as Índias 
Sozinho? 
César venceu os gauleses. 
Nem sequer tinha um cozinheiro ao seu serviço? 
Quando a sua armada se afundou Filipe de Espanha 
Chorou. E ninguém mais? 
Frederico II ganhou a guerra dos sete anos 
Quem mais a ganhou? 

Em cada página uma vitória. 
Quem cozinhava os festins? 
Em cada década um grande homem. 
Quem pagava as despesas? 

Tantas histórias 
Quantas perguntas

jueves, 29 de diciembre de 2011




Nono Andar

Daqui
deste espaço intermediário
posso ver os telhados as nuvens a chuva
ouvir os pássaros o ronco dos motores
a folia das crianças dos cachorros dos galos
o rumor dos homens o sino da matriz
o silêncio das árvores


Líria Porto

miércoles, 28 de diciembre de 2011



Tontos Rayones




Son rayones,
Solamente rayones,
Tontos e insensatos,
No os preocupéis con
Vuestras interpretaciones.




Donde hay flores
Hay desamores,
Pues ellas mueren,
Son olvidadas
Y ninguna lágrima
Exhalada.



No tires flores
En mi sepultura,
Tiren tierra,
Una botella de vino
Y olviden mi ser.


Ronne Grey

sábado, 24 de diciembre de 2011

El sol


Por la vieja barriada, donde, de las casuchas
Las persianas ocultan las lujurias secretas
Cuando el astro cruel furiosamente hiere
La ciudad y los campos, los techos y sembrados,
Quisiera ejercitarme en mi esgrima fantástica
Husmeando en los rincones azares de la rima,
Tropezando en las sílabas, como en el empedrado,
Acaso hallando versos que hace tiempo soñé.

Ese padre nutricio, que huye de las clorosis,
En los campos despierta los versos y las rosas;
Logra que se evaporen hacia el éter las penas
Saturando de miel cerebros y colmenas.
Es él quien borra años al que lleva muletas
Y le torna festivo como las bellas mozas,
Y a las meses ordena madurar y crecer
En la inmortal entraña que desea florecer.

Cuando, como un poeta, desciende a las ciudades,
Ennoblece la suerte de las cosas más viles,
Y penetra cual rey, sin séquito ni pompa,
 Tanto en las casas regias como en los hospitales.



Charles Baudelaire

                                                                     Charles Baudelaire
Claros Castanhos



Teus olhos castanhos brilham como
Bolha de sabão, que ilusoriamente engana
Aquele menino ingênuo,
Satisfeito e sem inspiração.


Tua boca revela a doce lembrança
Que acontecerá, porém prefiro a morte
Da vida do que viver morto e amar
Apenas em palavras e versos.


Não venero teu ser,
Só quero viver o sabor
Da minha poesia, amar
O inverso da melancolia.


Tua escuridão encandeia,
E a claridade dilata minhas pupilas,
Pois teu brilho é minha esperança
Em plena escuridão.




Ronne Grey

lunes, 19 de diciembre de 2011

O doido

Diziam, verdade ou não, que fora rico e são
e que a despeito dos bens que possuíra

acabara endividado, falido e torto. Talvez
por isso, embora miserável, a cabeça

reta, o andar
de quem governa e pisa terra extensa e sua

em perambular sob o sol absoluto,
absorvido sabe-se lá por que delírios.

Absorvido sabe-se lá por que delírios,
insultava o vento e o vazio numa agitação

de cabelos e palavras e era comum
vê-lo penteando com seus dedos

encardidos a água das praias,
como se província sua,

como sua líquida mulher ou filha.
Viveu assim, entre feridas e piolhos,

até que desceu a noite
e uma pedra veio buscá-lo.


Eucanaã Ferraz

miércoles, 14 de diciembre de 2011

El albatros


Por distraerse, a veces, suelen los marineros
Dar caza a los albatros, grandes aves del mar,
Que siguen, indolentes compañeros de viaje,
Al navío surcando los amargos abismos.

Apenas los arrojan sobre las tablas húmedas,
Estos reyes celestes, torpes y avergonzados,
Dejan penosamente arrastrando las alas,
Sus grandes alas blancas semejantes a remos.

Este alado viajero, ¡qué inútil y qué débil!
Él, otrora tan bello, ¡qué feo y qué grotesco!
¡Éste quema su pico, sádico, con la pipa,
Aquél, mima cojeando al planeador inválido!

El Poeta es igual a este señor del nublo,
Que habita la tormenta y ríe del ballestero.
Exiliado en la tierra, sufriendo el griterío,
Sus alas de gigante le impiden caminar.






Charles Baudelaire

martes, 13 de diciembre de 2011

Lua Clara



Achei o que ansioso esperava,
Algo sublime, mais eloqüente
Do que a brisa noturna.


Atrás das árvores estava
Os eflúvios da beleza que
Constrangiam as flores da primavera.


Dama da noite, tu és inspiradora
De todas as artes, ando na escura
Floresta e tu mostras o
Caminho da sabedoria.


A empatia faz pulsar
Minha simetria, Lua Clara
Tu és o fruto de minha inspiração.


És filha de minha alma,
Sinto algo inescrutável ao estar
Na tua presença.



Por isso fui persuadido a
Calar-me para o silêncio
Da noite que venera a bela
Lua Clara.




Ronne Grey



sábado, 3 de diciembre de 2011

El Peregrino

Atención, señoras y señores, un momento de atención: 
Volved un instante la cabeza hacia este lado de la república,
Olvidad por una noche vuestros asuntos personales, 
El placer y el dolor pueden aguardar a la puerta: 
Una voz se oye desde este lado de la república.
¡Atención, señoras y señores! ¡un momento de atención!

Un alma que ha estado embotellada durante años
En una especie de abismo sexual e intelectual
Alimentándose escasamente por la nariz
Desea hacerse escuchar por ustedes.
Deseo que se me informe sobre algunas materias,
Necesito un poco de luz, el jardín se cubre de moscas,
Me encuentro en un desastroso estado mental,
Razono a mi manera;
Mientras digo estas cosas veo una bicicleta apoyada en un muro,
Veo un puente
Y un automóvil que desaparece entre los edificios.

Ustedes se peinan, es cierto, ustedes andan a pie por los jardines,
Debajo de la piel ustedes tienen otra piel, 
Ustedes poseen un séptimo sentido
Que les permite entrar y salir automáticamente. 
Pero yo soy un niño que llama a su madre detrás de las rocas,
Soy un peregrino que hace saltar las piedras a la altura de su nariz,
Un árbol que pide a gritos se le cubra de hojas.


Nicanor Parra

viernes, 2 de diciembre de 2011

Puerto Quebrado


Si supieras que afuera de la casa,
atado a la orilla del puerto quebrado,
hay un río quemante
como las aceras.

Que cuando toca la tierra
es como un desierto al derrumbarse
y trae hierba encendida 
para que ascienda por las paredes, 
aunque te des a creer 
que el muro perturbado por las enredaderas
es milagro de la humedad 
y no de la ceniza del agua.

Si supieras 
que el río no es de agua
y no trae barcos 
ni maderos,
sólo pequeñas algas 
crecidas en el pecho 
de hombres dormidos.

Si supieras que ese río corre
y que es como nosotros 
o como todo lo que tarde o temprano 
tiene que hundirse en la tierra.

Tú no sabes,
pero yo alguna vez lo he visto
hace parte de las cosas
que cuando se están yendo 
parece que se quedan.


Andrea Cote


lunes, 28 de noviembre de 2011

Homenagem ao Cruz e Souza

Dilacerações


Ó carnes que eu amei sangrentamente,
ó volúpias letais e dolorosas,
essências de heliotropos e de rosas
de essência morna, tropical, dolente...

Carnes, virgens e tépidas do Oriente
do Sonho e das Estrelas fabulosas,
carnes acerbas e maravilhosas,
tentadoras do sol intensamente...

Passai, dilaceradas pelos zelos,
através dos profundos pesadelos
que me apunhalam de mortais horrores...

Passai, passai, desfeitas em tormentos,
em lágrimas, em prantos, em lamentos
em ais, em luto, em convulsões, em dores...
                                                



Cruz e Souza




martes, 15 de noviembre de 2011

Bicho da Noite


Tem horas que só quero um cigarro,
Tem horas que procuro amigos
Para conversar perambulando
Pelas noites.

 Tem horas que não quero nada,
Nem a morte nem a vida,
Nem o corte nem a ferida.
  
Tem horas que me basta um café,
Tem horas que não sei quem sou.

 Tem horas que procuro o silêncio,
Tem horas que fujo para os gritos da insônia.

viernes, 11 de noviembre de 2011

NÃO HÁ VAGAS

O preço do feijão
não cabe no poema. O preço
do arroz
não cabe no poema.
Não cabem no poema o gás
a luz o telefone
a sonegação
do leite
da carne
do açúcar
do pão

O funcionário público
não cabe no poema
com seu salário de fome
sua vida fechada
em arquivos.
Como não cabe no poema
o operário
que esmerila seu dia de aço
e carvão
nas oficinas escuras

- porque o poema, senhores,
   está fechado:
   "não há vagas"

Só cabe no poema
o homem sem estômago
a mulher de nuvens
a fruta sem preço

            O poema, senhores,
            não fede
            nem cheira

Ferreira Gullar
Baseado na Saudade


Marcado na agenda do
Imprevisível está o reencontro
De nossas almas loucas.

Por acaso nos conhecemos,
Por acaso nos amamos,
Sem aviso fostes para outro
Mundo, és livre....

O portal pode abrir,
Perambulo no chá da tarde,
Lateja loucura, horizonte infinito
Me dá vontade de correr,
Percorrer, percorrer...

Baseado na noite, digo
Que saudade são cicatrizes,
Vinho tinto, incerteza não será
Motivo para meus olhos tristes.




Ronne Grey

sábado, 5 de noviembre de 2011

Minha Alma



Loucura é o que minha
Alma sente pelo teu ser
Ungido, quando estou contigo
Tudo é belo, doce e
Infinito, infinito como
A alegria dos teus olhos.



Em tua alma me embriago como
Um profeta ébrio, esqueço do
Tempo, mundo e universo.



Em nenhuma estrela encontrei
A beleza que vejo em teus olhos,
Morei com os poetas e não provei
O vinho que há nos teus lábios.




Ronne Grey
Artificialmente Amado




As flores são perfumadas,
Ingênuas como criança dormindo,
Porém tu és fria como o metal
E fria como a neve.


Minha flor, tu és artificial,
De plástico, sem cheiro e sem sabor,
Verdadeiramente és mentirosa.


Não tens raiz, mas reguei quando
Te perdi, pedindo um cativo,
Porém fiquei cativo.


Agressivo, fiquei ao saber que
És artificial mesmo regando
O que tenho de mais natural,
O mar que revigora e capacita.




Ronne Grey
Sóbrio só no Espelho



Sóbrio só no espelho,
Por fora uma loucura real.


Coletiva sensação,
Pensamento ilhado,
Em um tumulto revolução.


Sóbrio apenas na idéia,
Em casa mora fechado,
Vive paz, medo, tragédia.


Pálido corpo fechado,
Ser estranho em reflexão,
Versos em um grito calado.




Ronne Grey

viernes, 4 de noviembre de 2011


Soneto Flores
  

Tua nostalgia é brisa
Suave em plena tempestade.
Teu pranto, melodia
Que corre no rio Tejo.


Escrevo uns versos
Que exalam vinho
Do Porto, para alegrar
Tua alma lusitana.
  

Vossa melancolia
Inunda meu peito de
Um delírio solidário.


Por isso, Pinto flores do Faro
Em um soneto
Surreal de licores.
  



Ronne Grey