sábado, 3 de diciembre de 2011

El Peregrino

Atención, señoras y señores, un momento de atención: 
Volved un instante la cabeza hacia este lado de la república,
Olvidad por una noche vuestros asuntos personales, 
El placer y el dolor pueden aguardar a la puerta: 
Una voz se oye desde este lado de la república.
¡Atención, señoras y señores! ¡un momento de atención!

Un alma que ha estado embotellada durante años
En una especie de abismo sexual e intelectual
Alimentándose escasamente por la nariz
Desea hacerse escuchar por ustedes.
Deseo que se me informe sobre algunas materias,
Necesito un poco de luz, el jardín se cubre de moscas,
Me encuentro en un desastroso estado mental,
Razono a mi manera;
Mientras digo estas cosas veo una bicicleta apoyada en un muro,
Veo un puente
Y un automóvil que desaparece entre los edificios.

Ustedes se peinan, es cierto, ustedes andan a pie por los jardines,
Debajo de la piel ustedes tienen otra piel, 
Ustedes poseen un séptimo sentido
Que les permite entrar y salir automáticamente. 
Pero yo soy un niño que llama a su madre detrás de las rocas,
Soy un peregrino que hace saltar las piedras a la altura de su nariz,
Un árbol que pide a gritos se le cubra de hojas.


Nicanor Parra

viernes, 2 de diciembre de 2011

Puerto Quebrado


Si supieras que afuera de la casa,
atado a la orilla del puerto quebrado,
hay un río quemante
como las aceras.

Que cuando toca la tierra
es como un desierto al derrumbarse
y trae hierba encendida 
para que ascienda por las paredes, 
aunque te des a creer 
que el muro perturbado por las enredaderas
es milagro de la humedad 
y no de la ceniza del agua.

Si supieras 
que el río no es de agua
y no trae barcos 
ni maderos,
sólo pequeñas algas 
crecidas en el pecho 
de hombres dormidos.

Si supieras que ese río corre
y que es como nosotros 
o como todo lo que tarde o temprano 
tiene que hundirse en la tierra.

Tú no sabes,
pero yo alguna vez lo he visto
hace parte de las cosas
que cuando se están yendo 
parece que se quedan.


Andrea Cote


lunes, 28 de noviembre de 2011

Homenagem ao Cruz e Souza

Dilacerações


Ó carnes que eu amei sangrentamente,
ó volúpias letais e dolorosas,
essências de heliotropos e de rosas
de essência morna, tropical, dolente...

Carnes, virgens e tépidas do Oriente
do Sonho e das Estrelas fabulosas,
carnes acerbas e maravilhosas,
tentadoras do sol intensamente...

Passai, dilaceradas pelos zelos,
através dos profundos pesadelos
que me apunhalam de mortais horrores...

Passai, passai, desfeitas em tormentos,
em lágrimas, em prantos, em lamentos
em ais, em luto, em convulsões, em dores...
                                                



Cruz e Souza




martes, 15 de noviembre de 2011

Bicho da Noite


Tem horas que só quero um cigarro,
Tem horas que procuro amigos
Para conversar perambulando
Pelas noites.

 Tem horas que não quero nada,
Nem a morte nem a vida,
Nem o corte nem a ferida.
  
Tem horas que me basta um café,
Tem horas que não sei quem sou.

 Tem horas que procuro o silêncio,
Tem horas que fujo para os gritos da insônia.

viernes, 11 de noviembre de 2011

NÃO HÁ VAGAS

O preço do feijão
não cabe no poema. O preço
do arroz
não cabe no poema.
Não cabem no poema o gás
a luz o telefone
a sonegação
do leite
da carne
do açúcar
do pão

O funcionário público
não cabe no poema
com seu salário de fome
sua vida fechada
em arquivos.
Como não cabe no poema
o operário
que esmerila seu dia de aço
e carvão
nas oficinas escuras

- porque o poema, senhores,
   está fechado:
   "não há vagas"

Só cabe no poema
o homem sem estômago
a mulher de nuvens
a fruta sem preço

            O poema, senhores,
            não fede
            nem cheira

Ferreira Gullar
Baseado na Saudade


Marcado na agenda do
Imprevisível está o reencontro
De nossas almas loucas.

Por acaso nos conhecemos,
Por acaso nos amamos,
Sem aviso fostes para outro
Mundo, és livre....

O portal pode abrir,
Perambulo no chá da tarde,
Lateja loucura, horizonte infinito
Me dá vontade de correr,
Percorrer, percorrer...

Baseado na noite, digo
Que saudade são cicatrizes,
Vinho tinto, incerteza não será
Motivo para meus olhos tristes.




Ronne Grey

sábado, 5 de noviembre de 2011

Minha Alma



Loucura é o que minha
Alma sente pelo teu ser
Ungido, quando estou contigo
Tudo é belo, doce e
Infinito, infinito como
A alegria dos teus olhos.



Em tua alma me embriago como
Um profeta ébrio, esqueço do
Tempo, mundo e universo.



Em nenhuma estrela encontrei
A beleza que vejo em teus olhos,
Morei com os poetas e não provei
O vinho que há nos teus lábios.




Ronne Grey
Artificialmente Amado




As flores são perfumadas,
Ingênuas como criança dormindo,
Porém tu és fria como o metal
E fria como a neve.


Minha flor, tu és artificial,
De plástico, sem cheiro e sem sabor,
Verdadeiramente és mentirosa.


Não tens raiz, mas reguei quando
Te perdi, pedindo um cativo,
Porém fiquei cativo.


Agressivo, fiquei ao saber que
És artificial mesmo regando
O que tenho de mais natural,
O mar que revigora e capacita.




Ronne Grey
Sóbrio só no Espelho



Sóbrio só no espelho,
Por fora uma loucura real.


Coletiva sensação,
Pensamento ilhado,
Em um tumulto revolução.


Sóbrio apenas na idéia,
Em casa mora fechado,
Vive paz, medo, tragédia.


Pálido corpo fechado,
Ser estranho em reflexão,
Versos em um grito calado.




Ronne Grey

viernes, 4 de noviembre de 2011


Soneto Flores
  

Tua nostalgia é brisa
Suave em plena tempestade.
Teu pranto, melodia
Que corre no rio Tejo.


Escrevo uns versos
Que exalam vinho
Do Porto, para alegrar
Tua alma lusitana.
  

Vossa melancolia
Inunda meu peito de
Um delírio solidário.


Por isso, Pinto flores do Faro
Em um soneto
Surreal de licores.
  



Ronne Grey

domingo, 30 de octubre de 2011

Vinhos Envenenados


Indomável devaneio
sentir teu cheiro ébrio.


Minha mente delira
quando venera tua pele
branca e desnuda em
meu leito erudito.


Vinhos envenenados
sorriso proibido
com olhos dilatados
e sedentos.


Calado devoro
teu fruto com peles e pelos
ardentes e molhados.


Ronne Grey
Cigarrilha


líria porto

se eu morrer de asfixia
ficar roxa e coisas tais
não digam às minhas filhas
que foi morte natural
a culpa é dessa gente
que faz pose de inocente
e embaça o ar
Soneto Singelo


És meu verso singelo
minha brisa desvairada.
Em tua pele morena
poesia delira, delira.


Tua alma exala
flores silvestres,
teus olhos são arrebóis
que bailam no céu.


Meus olhos tristes
veneram o rio Potengi,
morena não olvides.


Ao amanhecer
somos almas livres,
e na madrugada dois irmãos.


Ronne Grey
Imprevisível




A quanto tempo
não te via
chuva cheirosa.




Adoro teu som,
tuas gotas frescas,
e teu brilho no asfalto.




Chegastes hoje
sem avisar,
molhando até aqueles
que não merecem.




Quando quiseres voltar,
não hesites.

(in)vocações

líria porto

séria eu seria - não tenhas dúvida
se a miséria mo permitisse
se a féria do dia me trouxesse a matéria
se não fosse uma pilhéria esse salário mínimo
:
preciso vender o que tenho entre as pernas
para pagar o leite dos meninos

martes, 6 de septiembre de 2011


Minha avó


Vejo a pontinha
Do sol partindo,
Com quem agora
Vou desabafar?


Chupando uma manga
Nesse solitário pôr-do-sol,
Como não lembrar
De minha avó?


Recordo de tapioca,
Café com leite, Vitamina de abacate
Tudo isso comi primeiramente
De suas mãos.



Adorava seus cafunés,
Me amava tanto
Que sempre me tratou
Como um eterno menino.




Ronne Grey






miércoles, 26 de enero de 2011

Poema de Líria Porto

sem piedade

enviuvei-me pela quinta vez
matei os zangões rombudos
agora espero libélulas
seres de asas translúcidas
que não me exijam mel
e me tragam néctar

viernes, 21 de enero de 2011

Vagabunda Poesia



Poesia do meu hospício,
Diploma no café da insônia,
Todos dormem, eu rabisco.


Implico, repito e reflito,
Loucura não é novidade,
Mas sim um poeta aflito,
Todos são cúmplices
Dessa maldade.




Gritaria intensa, dor imensa,
Desabafo que pensa, parecido
Melodia, mas que não passa de
Uma vagabunda poesia.




Prostituta sem palco e platéia,
Na boca de todos, mas que foi
Maquiada na cama, sem fama,
E na solidão.



Ronne Grey

Video hecho por el designer grafico Venancio Pinheiro

domingo, 9 de enero de 2011

Pétalas Sangradas



São tantos calos
Que parece insensível
Lágrimas secas e cortantes.


Um silêncio sofrido
Que grita em desespero
Abandonado...


Entre concretos
As pétalas sangram
Versos...




Ronne Grey
 
REBELDIA


Soltem-me
as algemas
Quero
a minha alma livre
meu corpo livre
meu pensamento livre
Esbofetear o mundo
e cuspir
na vida.
 
 
Manuela Amaral 

Book Shop Pipa RN

Verbo Solto em Pipa

sábado, 8 de enero de 2011

Sacralização


Te glorifico homem maduro
Imerso em meus mistérios.
Louvo essa busca que não dói
e esse sêmen que sacraliza
umedecendo meus pecados.


Te faço meu Deus
em quanto me libertas
da dor de ser mulher.


Te louvo homem de fé
marcado pelo tempo
santificado em meu ventre.

Rompendo manhã
anoiteço em ti.
Sugo teus urros enquanto jorras o líquido da vida
Vencendo a morte.


Milhares de indecências nos aguardam.
Seremos circenses (se necessário ).
Tu equilibrarás dentro de mim
tua única espada
Eu engolirei teu fogo e sêmen.


Feito concha me insinuo
Pelo céu da tua língua
enquanto santos
serenos
bolinam meus lábios e seios.



Marize Castro




Paredes Brancas

Paredes Brancas


Textos inacabados
Já não me preocupam,
parades brancas
Já não me sussurram versos.


Pintaram meu quarto...


Eu não pedi
paredes caladas.
As paredes já não
sustentam minha rede de versos.


Mesmo assim,
em sua pele branca escrevo
versos surreais.



Ronne Grey

domingo, 2 de enero de 2011

desabafo do autor

O quarto livro está quase saindo...
publicar livros de maneira independente é difícil, mas depois de concretizá-los
sinto uma alegria bastante surreal.





Poesía Infinita


Los sapos cantan,
La luna crece,
Las estrellas brillan,
Pero yo no duermo.

 El insomnio debe
Ser una provocación
De la luna que camina.


Los sapos brillan,
La luna crece,
Las estrellas cantan,
Pero yo no duermo.


El primer arte es escribir,
El resto es consecuencia de
La poesía que no duerme.

Fotografia e Poesia

Nietzscheniana

"Todos os dias adormeço possibilidades e acordo realidade.
 Todos os dias sinto o peso do corpo desanimado.
 Sinto o sono entorpecente e visciante.
 Sinto a fome da ansiedade.
Todos os dias procuro respostas e encontro perguntas.
Todos os dias sinto dor; insônia; saudade.
Todos os dias sinto tristeza.
A cada amanhecer (lânguida) nasço e morro".


(Adélia Danielli)
Trevas



Garrafas de vinho
Pelo quarto ébrio,
Janelas abertas em sintonia
Com a brisa noturna.



Perambulo pela casa
E encontro a lua refletida
Na vidraça da cozinha.



Há meses não recebo
Visitas psicodélicas.
Embriago-me na solidão.



Ronne Grey
Bicho da Noite



Tem horas que só quero um cigarro,
Tem horas que procuro amigos
Para conversar perambulando
Pelas noites.



Tem horas que não quero nada,
Nem a morte nem a vida,
Nem o corte nem a ferida.




Tem horas que me basta um café,
Tem horas que não sei quem sou.


Tem horas que procuro o silêncio,
Tem horas que fujo para os gritos da insônia.

Buenos Aires

jueves, 30 de diciembre de 2010


Desnuda



Estoy mirando tu piel,
Pero, quisiera escuchar
Tus ojos en mi cabeza.



Si tú supieras
Que te quiero,
No olvidarías
Nuestro vino tinto.



Me gusta besar tu piel,
Hay noches que salgo
Caminando como el viento.



Amo tu libertad,
Pero tu ausencia
Es mi agonía.


Ronne Grey